domingo, 5 de outubro de 2014

1+1+1 = nós


Quando saímos os três de casa, de manhã, e entramos no carro até à escola, a única coisa que se ouve no carro é o rádio. Não somos bons falantes de manhã, eles preferem nem assobiar, quietos a olhar pela janela, se calho de lhes perguntar alguma coisa até me respondem a custo e quando abrem a boca a pergunta é sempre a mesma "estamos atrasados?".
Por sua vez, eu sem café, não sou uma pessoa normal (pois), ora que também não sou a melhor falante antes de o tomar e confesso que de manhã um beijinho e um até logo é o perfeito para uma convivência saudável .
Ao final do dia, quando os vou buscar ao centro de estudos e estamos, outra vez, só os 3 dentro do carro (até chegarmos a casa ainda apanhamos o belo do trânsito), é naquele banco de trás que as melhores conversas nascem e as perguntas mais engraçadas e difíceis ou as duvidas existenciais aparecem.
Fazemos o balanço do dia deles, eles perguntam pelo meu (independentemente de como tenha sido a minha resposta é sempre a mesma: foi bom meus amores), falamos dos nossos almoços, eles falam do que mais gostaram das aulas, do que os aborreceu, do que combinaram com os amigos para o dia a seguir, perguntam todos os dias quantos dias falta para os anos deles.
Nas entre-linhas da conversa, muitas vezes, revelam sonhos e desejos que cozinharam na cabeça durante o dia e ficaram por partilhar com os amigos. É a única altura do dia e da semana que os três estamos na letra como se não houvesse horas no relógio, como se não houvesse o castigo a bater a porta por ter dito isto ou feito aquilo, é a única altura em que estamos sem filtros, sem papeis para desempenhar, sem hierarquias. 
E eu gosto! Tanto! 

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